08/02/10

Estágio AikiLis 2010

Estágio com Kevin Choate Sensei 
(6 dan Aikidô Aikikai)


do dia 23 até o dia 28 de Março de 2010




                 Local de prática
                 Estádio Universitário de Lisboa – EUL
                 Avenida Professor Gama Pinto
                 Pavilhão 3

                 Inscrições e mais informações              vídeo



Estágio Internacional de Aikido

 Estágio com Hiroshi Ikeda Shihan

do dia 23 até ao dia 25 de Abril de 2010

A Associação Portuguesa de Aikidô e Disciplinas Associadas - APADA organiza um Estágio Internacional de Aikidô que terá lugar em Lisboa, Portugal, dirigido por Hiroshi Ikeda Shihan (7 dan Aikikai).

 Hiroshi Ikeda Sensei é fundador e director técnico de "Boulder Aikikai", escola de Aikidô sem objectivos lucrativos, instalada em Boulder, próximo da cidade de Denver, no Estado do Colorado, EUA. Actualmente é titular da graduação de 7º Dan outorgado por Mitsugi Saotome Shihan e pela "Aikido World Federation" (Hombu Dojo).

Ikeda Sensei começou o estudo do Aikidô em 1968, como estudante da Universidade "Kokugakuin" em Tokyo. Em 1978, segue Saotome Sensei para Sarasota, na Florida. Em 1980, instala-se em Boulder criando a escola "Boulder Aikikai", tornando-se membro da Aikido Schools of Ueshiba, liderado por Mitsugi Saotome Shihan.

Ikeda Sensei vive com a sua família em Boulder, no Estado do Colorado (USA), ensina em "Boulder Aikikai" e dirige a empresa "Bu Jin Design", uma empresa de produtos manufacturados relacionados com Artes marciais e destinados a serem vendidos na internet. Sendo convidado em todo lado,  ele viaja muito para dirigir numerosos estágios de Aikidô não só nos Estado Unidos como no  estrangeiro.



Local de prática
Pavilhão 3
Avenida Professor Gama Pinto
1600-190 Lisboa

Preço do estágio............70 €
Aulas avulsas................30 €

Horário do estágio
(praticantes de qualquer federação ou grupo)

Sexta-Feira, 23 de Abril de 2010
      » das 21h 30mn às 23h 00mn
Sábado, 24 de Abril de 2010
      » das 10h 00mn às 12h 00mn
      » das 17h 00mn às 19h 00mn
Domingo, 25 de Abril de 2010
      » das 10h 00mn às 12h 00mn



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Com a colaboração do Estádio Universitário de Lisboa

03/02/10

Aikido Bridge Friendship Seminar - Holanda

Estágio de Aikidô num fim de semana (16, 17 e 18 de Abril de 2010) em Amesterdão, Holanda com
            Hiroshi  Ikeda Shihan
            Christian Tissier Shihan
            Wilko Vriesman Sensei
Aikido Bridge Friendship Seminar   Vriesman Dojo (Google maps)

18/01/10

Caetana / Catarina / Laura


16/12/09

Saber? A serio? Ouuufff... :-)


30/11/09

Pratica Geral do 09/11/2009





12/11/09

Perigo no fundo do oceano





05/10/09

L'haptique et l'aïkido, quelques coïncidences

L’haptique désigne la science du toucher, par analogie avec acoustique ou optique (provient du grec "haptomai" qui signifie "je touche"). Au sens strict, l’haptique englobe le toucher et les phénomènes kinesthésiques, i.e. la perception du corps dans l’environnement.

Les caractéristiques fonctionnelles du sens haptique manuel tout comme ses processus sous-jacents sont encore relativement mal connus pour plusieurs raisons :

1. ces processus fonctionnent la plupart de temps de façon entièrement automatique car les informations proprioceptives sont généralement traitées inconsciemment ;
2. les contractions musculaires génèrent des tensions dans l’ensemble des tissus dans lesquels sont situés les mécanorécepteurs cutanés et proprioceptifs. Ces forces internes peuvent exister même en l’absence de tout mouvement (par exemple, lors de la co-contraction de muscles antagonistes). L’activité de ces récepteurs dépend donc non seulement des forces externes comme la gravité ou les forces de contacts mais aussi de ces forces internes qui ne sont généralement pas observables directement ;
3. les commandes motrices sont en général accompagnées d’une copie (appelée copie efférente ou décharge corollaire) qui peut être utilisée par le système moteur pour anticiper les résultats de son action indépendamment des signaux cutanés et/ou proprioceptifs provenant de périphérie. De nombreuses études suggèrent que ces signaux générés de façon interne sont aussi utilisés par le système perceptif. Les décharges corollaires peuvent exister même en l’absence de tout mouvement. En effet, les forces internes (contractions musculaires) nécessaires pour opposer une force externe (e.g. la gravité ou le poids d’objet) sont aussi accompagnée de décharges corollaires qui peuvent contribuer à la mesure de ces forces. En fait, ces décharges corollaires pourraient être à l’origine du sens de l’effort (pour une approche alternative, voir Turvey 1994);
4. des mouvements volontaires d’exploration, variant en fonction des caractéristiques de ce qu’il faut percevoir, doivent être produits par la personne pour compenser l’exiguïté du champ perceptif cutané (limité à la zone de contact avec les objets) et appréhender les objets dans leur intégralité. Le stimulus va donc dépendre de la façon dont l’objet est exploré. Il en résulte une appréhension morcelée, plus ou moins cohérente, parfois partielle et toujours très séquentielle, qui charge lourdement la mémoire de travail et qui nécessite, en fin d’exploration, un travail mental d’intégration et de synthèse pour aboutir à une représentation unifiée de l’objet.

04/10/09

Algumas funções cerebrais e sinestesia

 No fim deste vídeo, é abordado o tema da sinestesia. A sinestesia, do grego Syn (união) e aesthesis (sensação), tem uma explicação como fenómeno neurológico no qual dois ou vários sentidos são associados. 

                              Nota: As legendas são disponíveis em várias idiomas.

21/09/09

Harmonia (Ai) no Aikidô

Um dos objectivos fundamentais do Aikidô é a Harmonia (Ai). A harmonia pode-se manifestar de várias maneiras; ela é intrinsecamente independente. Aprisionar definitivamente a harmonia num objecto ou ideia, não é viável. Apesar dos inúmeros interesses de apropriação em jogo (incluindo os económicos), esta tentativa tem vários obstáculos naturais.
Expressar a harmonia é sinónimo de saber lidar com ela, tomando consciência do fenómeno. Para poder acolhê-la e expressá-la, convêm saber apreciar a sua inconformidade, diversidade, precisão, ritmo, e fazer prova duma adequada abertura, delicadeza, presença e subtileza.
Num registo completamente diferente, tal como num combate, o que gesticula mais desordenadamente são os nossos neurónios, e o corpo é o espelho dessa actividade descontrolada. Mas para relacionar correctamente a nossa actividade interna /externa temos que ser diferenciados dos dois lados. Não podemos continuar a passear “um cadáver ambulante" e ao mesmo tempo querer possuir o gesto subtil do músico. É necessário fazer uma escolha.
Quando utilizamos simultaneamente todo o corpo (ou quando tomamos consciência desse facto), é necessário muitas vezes preencher lacunas ou insuficiências da nossa aprendizagem corporal. Esta abordagem vai invariavelmente revelar algumas tensões no corpo e na mente. Para soltá-las, o trabalho da respiração é fundamental.
Para reajustar dificuldades de desempenho temos uma panóplia de aplicações que sugerem soluções. Seguindo o percurso do funcionamento dum movimento, desde os apoios ao centro de gravidade, passando pela sua vertical, até a um gesto ou uma acção, podemos procurar a estabilidade indispensável à sua realização.
Perante o ataque dum parceiro, teremos de aprender a canalizar forças e vontades in loco, relacionando todos os factores em simultâneo. Com orientação e experiência talvez um dia possamos fazer tudo isso de forma espontânea adquirindo assim uma certa distância da própria acção. Temos como exemplo a tentativa de um principiante de vivenciar as projecções (roladas) com suavidade (eliminando reactividade e crispação), como a extensão e prolongamento articulado do movimento do parceiro.
O que se destaca na prática do Aikidô é o que podemos chamar de "consciência-energia". O aspecto funcional do Aikidô trabalha ao nível dos “bastidores” um pouco à semelhança da motricidade da fala: entre a motricidade, a linguagem e o sentido, é o sentido o condutor principal. Isso quer dizer que, para não deixar ficar nada para trás, a maneira de aprender e o sentido da aprendizagem têm um papel fundamental.
Por tudo o que ficou dito, pode assim compreender-se que existe uma forte distinção, de sentido e de consequências, entre "técnicas de Aikidô" e "Aikidô". "Técnicas de Aikidô" diz respeito à aprendizagem e "Aikidô" é a prática da expressão livre da actividade, tão livre como a música sabe sê-la, com os seus condicionamentos internos e externos e limitações diversas (humanas, instrumentais, etc.).
O resumo do princípio activo da aprendizagem das técnicas de Aikidô é: a abertura, a relaxação (tonicidade adequada), a não reactividade e a tomada de consciência. Os praticantes são colocados sob o jogo permanente, do constrangimento de um ataque e da expressão de uma técnica. As técnicas não devem ser esvaziadas e ser estudadas por elas mesmas, criando o mau hábito de uma mecanização e uma ausência do momento presente. A aprendizagem geral dos alunos gravita à volta da expressão: "tomada de consciência" (experiência).

31/08/09

Edital - 2009 - nº3


Laura Santa-Marta Bonito nasceu no dia 31 de Agosto de 2009, às 14 horas 04 minutos, com 4,105 kg, no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, Portugal (Rua Jacinto Marto 1169-045 Lisboa).
A Madalena, o Filipe, todas as avôs e avós e o resto da família estão radiantes.

30/08/09

Estágio Internacional de Aikidô em Le Vigan 2009

Para um leque de 280 alunos de todos os níveis e de vários países da Europa, Hiroshi Ikeda Shihan conseguiu transmitir brilhantemente a pratica do Aikidô como uma descoberta pessoal e permanente. Apesar de já conhecer um pouco a qualidade do ensino de Ikeda Sensei, este estágio foi surpreendente. Foi uma das melhores apresentação sobre o ensino do Aikidô que tenho visto (fruto duma pedagogia profunda e luminosa). O estágio foi caracterizado por uma grande espontaneidade e uma prática comunicativa. Um estágio verdadeiramente excepcional em todos os pontos de vista.
Os aikidokas franceses foram receptivos ao ensino do Mestre, e mostraram, que nesta modalidade são um país dotado. O grupo de participantes americanos da organização ASU foram muitos apreciados pela qualidade da prática, pela ajuda prestada e pela simpatia. Do nosso lado, os portugueses juntaram 23 praticantes muito interessados e já motivados para o próximo estágio de 2010... Talvez com Mitsugi Saotome Shihan!
Muito obrigado Hiroshi Ikeda Sensei!

02/08/09

Exposição web - Mitsugi Saotome

Caligrafias de Mitsugi Saotome Sensei

01/08/09

01-Nisargadatta Maharaj-Eveille-toi à l'Eternité

Nisargadatta Maharaj não é um daqueles gurus de "farinha Amparo", com fortuna (feita a medida da ignorância dos alunos), ou com uma imagem para cuidar; é algo fora do comum, uma coisa diferente! As circunstancias da vida fizerem que este homem sem formação escolar começasse por vender cigarros na rua, e acabasse por ser um merceeiro, mas um merceeiro literalmente extraordinário, a revelia de qualquer um dos clichés feitos. Este homem recebeu na sua minúscula loja num dos subúrbio muito pobre de Bombaim, pessoas de todo o mundo, de toda as categorias sociais, sem discriminação entre a casta, sexo, raça ou religião. Toda essa gente vinha fazer perguntas sobre as suas vidas, sobre assuntos ligados a espiritualidade, e ele respondia a sua maneira, com uma profundidade extraordinária.

Aviso: depois de visionar a vídeo: "01-Nisargadatta Maharaj-Eveille-toi à l'Eternité", também podem ver: "02-Nisargada..." e assim sucessivamente até "07-Nisargada....". No fim de cada visionamento, poderão descobrir os títulos dos outros vídeos. A versão inglesa pode ser vista aqui.

25/07/09

Exames de graduações no sábado, dia 25 de Julho de 2009

26 Alunos(as) promovidos(as) na Associação Portuguesa de Aikidô e Disciplinas Associadas - APADA (parabéns a todos!)

Graduações crianças

6º Kyu / cinto cizento
David Augusto Silva Anes

7º Kyu / cinto violeta
Cláudia Patrícia dos Santos Guerra Domingues
Francisco Luís Matos da Paz
João Pedro Gonçalves Pratas

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Graduações adultos (hakama negro a partir do 6º Kyu)

6º Kyu / cinto branco
José Ricardo da Silva Gomes Josué
Maria João de Sousa Spranger

5º Kyu / cinto branco
Alfredo Conde Moreno
António Manuel Procópio Penetra
Carla Raquel Gonçalves Mouta
Gonçalo Rodrigues de Almeida
Ricardo Prista Brites

4º Kyu / cinto branco
Ana Pedro Inácio
Diogo do Santos Ventura
Helena Isabel Carreiros Pedroso
João Pereira Rezende Neves
Nuno André Proença Vaz Seabra Lopes
Pedro Miguel Oliveira Lucas Santos
Tiago Napierala Ovidio Campos Ribeiro

3º Kyu / cinto branco
Duarte da Costa Seixas Menezes Cardoso
Maria Isabel Esteves Coelho

2º Kyu / cinto branco
António dos Santos Baptista
Jorge Manuel Alves Chambel
Luís Gonçalo Faro Macieira
Nuno Miguel Cipriano Paiva

1º Kyu / cinto castanho
Paula Alexandra Caldas Amaral
Vítor Manuel Ramos Pereira

07/07/09

Fotos Summer Camp 2009 - Washington Dc

Podem ver algumas fotos da festa do Summer Camp 2009 aqui

16/06/09

A tradição segundo Éric Baret

"A palavra tradição é um pouco como uma roupa que permite em certos momentos, actualizar alguns elementos. Na exploração do corpo humano, do psiquismo, até um certo ponto pode ter em conta as constatações que foram feitas antes de vocês, por pessoas que passaram as suas vidas nesta exploração. A tradição é um pouco como uma codificação da experiencia passada, mas é uma roupa muito leve. (...)
A Tradição é um movimento, não é qualquer coisa fixa. É uma forma de questionamento, uma arte de questionar cada vez mais intimamente, que aponta para si mesmo em direcção a si mesmo. (...)
A Tradição não é depositaria de nenhuma resposta, porque a resposta pertence ao vivido. (...)

No livro (em francês): "Le sacre du dragon vert"
De: Éric Baret
ISBN: 9 782351180136

31/05/09

Não-dualidade e Aikidô

A noção "Ai" (Harmonia) do Aikidô é bastante parecida (com o mesmo “perfume”) que a noção de não-dualidade exposta na tradição indiana do "Advaita-Vedanta" e onde podemos entrever aquilo que chamamos "centro".
Para quem sabe ler em francês, existe um livro interessante neste assunto:

Titulo: "La joie sans objet". L'ultime réalité, sois ce que tu es.
Autor: Jean Klein (1912-1998)
Edição: Almora
ISBN: 9782351180365
Preço: 13,90 euros

23/05/09

Ken Robinson: Escolas matam a criatividade?



 Subtítulos em 24 linguagens disponíveis

Será que o Aikido tem um papel a desempenhar? Talvez... :-)  Praticado como foi criado pelo seu fundador Morihei Ueshiba, o Aikidô acontece com um corpo consciente (com vacuidade, sem acrescentos filosóficos, técnicos ou psicológicos), solto, criativo, inteligente, não bloqueado, não-reactivo, permitindo viver o momento presente .

12/05/09

Judo

Koshiki-no-Kata

Demonstração com Jigoro Kano Shihan

11/05/09

Estágio de Aikido - Bordeaux, France

Com Irène Lecoq Sensei (cinto negro 6 dan)

Clube "La Flèche de Bordeaux"
21 rue Ulysse Despaux
33800 Bordeaux
(No Bairro "St Michel")
Localização com google maps

Tel : +33 (0)5 56 92 04 43

Do dia 29 de Junho (2a feira) até ao dia 3 de Julho (6a feira)
das 19h 30 às 21h 30

Preços : 05 euros / dia
20 euros / estágio completo

A cidade de Bordeaux, informações diversas em francês

Transportes:
Air France
Aeroporto de Bordeaux
Eléctrico (paragem mais próxima do local de pratica)
Ligne A "Porte de Bourgogne"
Ligne B "Victoire"
Ligne C "St Michel"

Site web do clube

30/04/09

Edital - 2009 - nº2

Catarina Raimundo Duclos Ribeiro Albuquerque nasceu no dia 30 de Abril de 2009, às 08 horas 53 minutos, com 3,025 kg, no Hospital das Descobertas (Latitude - 38º 45' 25" N - Longitude - 9º 05' 54" W) em Lisboa. A Fabienne, o Mário, todas as avôs e avós e o resto da família estão radiantes.


já a pensar!
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Com umas noções de Artes Marciais!
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Concentrada
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É a Catarina....
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29/04/09

Morihei Ueshiba (O Sensei) e Mitsugi Saotome Sensei

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Neste vídeo: Morihei Ueshiba (O Sensei) e Mitsugi Saotome Sensei
Amostra do DVD "Principles of Aikido" de Mitsugi Saotome Shihan.

26/04/09

Feitio?

16/04/09

A prática

Actividade e prática do Yoga não podem servir de Via, porque a consciência não nasce da actividade. É pelo contrário a actividade que decorre dela.
Abhinavagupta no "Tantrâloka"

06/04/09

Depois do banho...

08/03/09

Edital - 2009 - nº1

Caetana Herrera Santa-Marta nasceu no dia 7 de Março de 2009, às 23 horas (7 h da manha do dia seguinte em Lisboa), com 4,2 kg, em San Diego, Califórnia. A Mariana, o Federico e a avó estão radiantes.

Caetana e Mariana

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Tenho que acrescentar que entre este acontecimento marcante e todas essas emoções, uma coisa não menos extraordinária aconteceu... Sou avô pela primeira vez! (grand-père, grand-father). E esta senhora é um peixe (agua), e do lado da china, búfalo (terra), na hora cabra (fogo).


Federico

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Joana

06/12/08

Boas práticas pedagógicas em Aikidô

Dô - o Aikidô como uma Via
Aquilo que trava o acesso à subtileza corporal e mental é a tensão (ou dinamismo) do querer chegar a algo. O Aikidô tem que ser abordado como foi concebido: duma forma não-dualista. Assim existe uma hipótese de descobrir indirectamente diferentes facetas subtis da nossa corporalidade e do mental. A Harmonia (kandji “Ai”) está ligada ao “não-fazer”, não-agir, não estar sob a pressão (ou dinamismo) do querer ou não querer ser algo ou alguém, querer ou não querer atingir (ou ser atingido por) qualquer coisa (reactivo).
Não devemos confundir Aikido e “técnica de Aikidô”. A técnica é memória, é pretender ou rejeitar algo. Qualquer projecto remete-nos à memória. Para se sentir disponível, feliz, não existe técnica.
O Aikidô é celebrar o impensável na vida quotidiana. O impensável não pode ser abordado pelos pensamentos.
Quem tem presente o "sentido da prática do Aikidô na sua vida" (Dô) pode orientar alunos de Aikidô.

Progressão
É aconselhado, a quem não tem a certeza de vivenciar "este nível" (mesmo que seja um muito antigo praticante e professor), de seguir uma orientação (não "por telepatia", por email, ou por uma teoria intelectual qualquer, mas no concreto duma prática rigorosa) com alguém competente. A relação professor-aluno é fundamental na progressão em Aikidô.

Alguns tópicos importantes para o ensino do Aikidô
É fundamental que o professor sinta respeito pelo aluno(a) caso contrário, não haverá o equilíbrio indispensável ao trabalho do Aikidô.
Para ensinar é fundamental: conhecer minimamente a matéria que pretendemos ensinar e como organizá-la, conhecer os nossos limites, ter recuo interior (não estar bloqueado pelas dificuldades), ter concentração a vários níveis, ter compaixão, ter coragem e não ser agitado. Tudo isto não acontece se abordarmos os outros com agressividade, com superficialidade, se mentirmos, se formos ignorantes e complacentes com qualquer comportamento egocêntrico.
Pode haver a tentativa de manipulação e exploração de pessoas que vão a reboco dos seguintes ingredientes: a necessidade do maravilhoso, do mágico, duma certa dependência emocional, da falta de personalidade e da necessidade de se colocar sob a dependência de alguém ou dum dogma ou a necessidade de se sentir importante, de ter poder, de ser idealizado pelos outros. Trata-se de imaturidade (muito presente na nossa sociedade), tanto para aqueles que querem dominar, como aqueles que são dominados. Um professor consciente da influência que pode ter junto dos seus alunos, deve sempre (com paciência) encorajar o aluno a caminhar pelos seus próprios meios e a assumir com sabedoria as suas próprias questões e esclarecê-lo da falsa esperança de que o professor possa melhorar magicamente a sua vida. Simultaneamente, deve encorajá-lo, animá-lo e apoiá-lo de maneira a ele poder ajustar-se à realidade como um indivíduo pleno e auto-suficiente.
Um professor precisa de fazer distinção entre o aluno que o vê objectivamente e aquele que o idealiza num claro processo de transferência e dependência.
Um professor de Aikidô deve praticar aquilo que ensina. Ele é o modelo do aluno e jamais deve colocar-se, directa ou indirectamente, como o paradigma técnico ou das virtudes. Um professor desleixado e sem escrúpulo tudo fará para impedir que o aluno desenvolva espírito crítico.
O professor de Aikidô não pode fazer proselitismo pessoal, nem cobrar aceitações ou concordâncias. Seu dever é oferecer aquilo que a sua consciência atinge. Tudo o resto é trabalho do aluno que não deve ser forçado.
O aluno deve ser esclarecido de que melhorar implica mudar, transformar. Sem mudanças não pode haver melhorias. O Aikidô não é um processo mágico mas sim um caminho de disciplina e de harmonia interna que favorece e guia a transformação dos nossos movimentos, da nossa personalidade e da nossa própria vida. Os atalhos são trajectos vazios e ilusórios.
O professor de Aikidô deve valorizar o seu trabalho e cobrar por ele a justa remuneração. Não se deve deixar explorar em questões financeiras, nem em questões emocionais ou no abuso do seu tempo. Sua disponibilidade deve ser sempre a do tempo necessário para os alunos.
Quando consultado acerca do Aikidô, o professor procura esclarecer o interessado, mostrando outros ângulos e pontos de vista com o máximo de honestidade, para ampliar a compreensão e alargar os horizontes do mesmo. Quando possível, orientá-lo a perceber seus pontos de vista erróneos, deixando o aluno encontar sózinho a solução e assumir a responsabilidade pela mesma.

Aikidô Tradicional (de Jean Bouchart d’Orval)
"A palavra tradição ou tradicional refere-se àquilo que em nós é vertical, intemporal e impessoal. O seu sentido nos dias actuais foi largamente desviado e o mais comum é utilizar esta palavra para designar uma pessoa conservadora, convencional e até com medo. Um ser humano da tradição é aquele que vive em acordo com os ritmos profundos da existência, com a inevitabilidade da vida: não há pretensão virada para o poder ou tentar evitar o inevitável. É a pessoa cuja vida é orientada sobre o intemporal e o impessoal, sobre o sagrado. É sagrado aquilo que é sem objectivo, sem cálculo, aquilo que é pura entrega, imparável entusiasmo interior."

Qual é o tipo de orientação que queremos para o Aikidô?
A dinâmica que suporta a "teoria do esforço" tomada como meio para programar, avaliar e organizar uma actividade em relação aos fundamentos da prática do Aikidô, coloca em contraste duas maneiras antagónicas de conceber a prática: a educação pelo esforço e a educação pelo interesse.
Enquanto a educação pelo esforço implica uma separação entre a consciência do aluno e a actividade que desenvolve, a educação pelo interesse permite ao aluno de se identificar à actividade. O Aikidô é fundamentalmente uma educação pelo interesse e quando aborda o esforço, a medida certa é um esforço sem ego (não reactivo e com ligação).
Na teoria do esforço o aluno sente-se obrigado a fazer uma actividade que na realidade não está interessado. No entanto, na teoria do esforço o interesse não está excluído, pois "é psicologicamente impossível de provocar uma actividade sem qualquer interesse".

Linhas ou escolas de Aikidô
Existe uma escola de Aikidô quando existe uma linha de ensino coerente com os princípios do Aikidô. Dirigir uma escola ou uma linha de Aikidô é normalmente um atributo de alguém com experiência e humildade, e claro, a liderança não se destina a desenvolver o ego de quem quer que seja. No aspecto concreto, as técnicas não são feitas para perpetuar o sinal de afirmação de alguém, dum grupo ou duma "marca" num mercado de rivalidades.

O cerimonial
O cerimonial apresenta dois aspectos fundamentais: o aspecto formal e normativo da sociedade (regulação social e cultural), e um sentido individual de purificação.
Ensinar os procedimentos gestuais de origem japonesa a um principiante, não equivale automaticamente a que ele compreenda o seu conteúdo. Despegar-se de coisas desnecessárias, supérfluas, é um exemplo de purificação na relação que o corpo pode entreter com a consciência (o mental), com a "consciência do corpo" e com a "inteligência intuitiva directa" (não confundir com o instinto, e os seus mecanismos espontâneos ligados a aspectos primitivos do medo).
Os efeitos que decorrem destas interacções regulares geram na globalidade (como nas relações humanas) um sentido de simplicidade, de presença e de ligação natural com aquilo que nos rodeia. O cerimonial é uma parte incontornável do ensino e da prática do Aikidô.

A disciplina
A disciplina formal e exterior é sempre o último recurso, quando tudo o resto falhou.
É preciso nunca perder de vista que existem várias instâncias disciplinares: o clube, a Associação, a Federação e os tribunais. Ás vezes poderá ser necessário remeter um problema numa instância adequada.
Todas as decisões relativas à disciplina devem ser proporcionais. Não se deve tomar uma decisão a quente (principalmente quando é irreversível), mas com uma calma completa. Pedir eventualmente o conselho de alunos mais antigos que já demonstraram isenção e calma. Durante a reunião, chamar (se for oportuno) duas ou três testemunhas a participar e pedir a descrição do sucedido. Devemos também, ouvir sempre (com calma e sem cortar a palavra) as pessoas implicadas num problema e fazer as perguntas necessárias. Na altura das perguntas, não se deve opinar, tentar influenciar ou pronunciar-se sobre aquilo que ouvimos. É sempre desejável dar um segunda oportunidade a alguém que errou, desde que haja um pedido de desculpa com boa fé para a pessoa ofendida (quando fôr o caso) e a promessa de corrigir o sucedido. O professor toma a decisão sózinho depois de ter reflectido nos prós e contras. É preciso ter: rigor, compaixão, ponderação, isenção, neutralidade e discrição, tanto quanto for possível.
No fogo duma situação muito complicada, podemos pedir a um(a) aluno(a) para momentaneamente (ou durante toda a aula) parar de praticar e sentar-se, ou eventualmente em último caso, pedir calmamente ao(a) aluno(a) para sair da aula, explicando que vamos resolver o problema depois.
Há comportamentos que podem criar a curto prazo situações insustentáveis. Ficam aqui alguns exemplos: o assédio sexual masculino ou feminino, violência grave e repetida com impossibilidade manifesta de qualquer controlo.

A prática das técnicas de base: atitude mental e visão (de Mitsugi Saotome Sensei)
..."Depois de demostrar uma técnica constato que os movimentos que os alunos fazem são completamente diferentes do demonstrado. Aprender a observar, de maneira justa e clara, não é tão fácil como parece. Os a-priori dum aluno podem resultar numa limitação da visão. Se as pessoas têm tantas dificuldades em observar o que se lhes apresenta à frente dos olhos, podemos então entender quão difícil é a percepção das motivações subtis e fugazes que condicionam o movimento físico.
A primeira tarefa dum principiante é aprender a olhar, a observar com o espírito aberto aquilo que os olhos permitem ver, e deixar a sua alma receptiva ao sentido mais profundo que se esconde atrás da técnica. A prática da percepção justa deve necessariamente anteceder a capacidade a efectuar uma técnica. Há que desenvolver a percepção intuitiva da intenção e do sentido que está atrás da técnica mostrada pelo seu professor e ter assim uma amostra das qualidades mentais e espirituais que ele possui. Nunca insistirei o suficiente sobre a importância de seguir à letra as instruções do seu professor. Aquilo que observou, deve ser afinado pela repetição. Para aprender o Aikidô, deve repetir, mais e mais, os movimentos que o seu professor mostra até o corpo ensinar a sabedoria natural do movimento e permitir entender o saber do professor. Mas, adquirir literalmente um conhecimento, e uma habilidade técnica, não é o objectivo do Aikidô. Devem praticar para melhorar o carácter e aumentar o seu nível de consciência.
O estudo do Aikidô não deve ser baseado num objectivo egoísta. É preciso desenvolver a sensibilidade e a compaixão pelos outros, no decorrer das relações quotidianas da prática e na vida de todos os dias. Esta compreensão deve ser acompanhada pelo crescimento técnico. Se ficam ignorantes sobre os efeitos das vossas acções sobre o corpo e o espírito do vosso parceiro, nunca poderão descobrir o objectivo real da prática e ainda menos a eficácia da técnica. É por este motivo que nunca devem praticar de forma violenta, provocando descontroladamente dor ou ferimentos. Faz parte da vossa responsabilidade moral. Ser sensível às necessidades dos outros ajuda a desenvolver não só os cinco sentidos, mas outros sentidos. O sexto sentido é a faculdade de poder ver além das aparências, de detectar sinais subtis que ultrapassam o campo da percepção dos sentidos físicos. O sétimo sentido é o mais difícil: é a sabedoria que permite ficar consciente das leis naturais que regem todas as coisas. Com este último, podem desaparecer as fronteiras entre nós e os outros, e compreender que fazer qualquer mal a outrem equivale a ferir-se a si próprio.
A nossa prática não é um combate real, mas uma situação artificial que nos vai permitir melhorar fisica e mentalmente. O nosso parceiro não é o nosso inimigo. O ataque do Uke deve ser puro, sem intenção de maldade, simplesmente puro. Do seu lado, Nage não deve ferir o Uke que se colocou voluntariamente nas suas mãos. Enervar-se, assumir uma atitude colérica, descontrolar-se emocionalmente, não só é uma falta de etiqueta, como igualmente destruidor para si e completamente absurdo. Durante os meus anos de ensino, vi numerosos alunos cujo potencial e capacidades foram estragadas pela vanidade e pela incapacidade de verem os seus companheiros de maneira verdadeiramente humana.
O vosso professor só vos pode dar as grandes linhas do Aikidô, e sugestões de tempos em tempos, para guiar a vossa prática. É contudo só com uma prática assídua que podem dominar este mistério: aprender a compreender com o corpo. Não façam o esforço fútil de aprender uma colecção de técnicas, mas estudem-nas uma por uma, até que cada uma se torna sua. A prática deve ser feita na alegria." ...

Musubi (de Mitsugi Saotome Sensei)
"O Aikidô é o estudo da sabedoria. Se não conseguimos ter confiança em nós próprios (se não conseguimos ter uma visão clara de nós mesmos) nunca poderemos compreender os outros, nem ter confiança neles e não seremos certamente capazes de os controlar.
O objectivo do Aikidô não é formar combatentes agressivos, mas afinar a sua sabedoria e o controlo de si mesmo. A chave deste processo e o coração do Aikidô é musubi. Este termo é vagamente traduzido por : unidade ou interacção harmoniosa. A prática de musubi significa a capacidade de se fundir fisicamente e mentalmente no movimento e na energia do parceiro. Musubi é o estudo duma boa comunicação. Em todas as interacções com as pessoas existe uma comunicação, quer se queira ou não tomar consciência deste facto. Pertence aos actores desta interacção decidir se a comunicação vai ser fértil ou inútil, amigável ou hostil, verdadeira ou imperfeita. Musubi, quando é afinado, pode manifestar-se pela faculdade de controlar e de modificar a interacção, transformando, por exemplo, uma abordagem hostil num encontro saudável. Musubi é um método de aprendizagem e ao mesmo tempo um objectivo de estudo. Musubi levado ao seu refinamento extremo consiste em adquirir o sentido da harmonia universal e, sobre um plano técnico, dirigir os encontros num sentido favorável. Mas será que podemos inculcar a alguém uma tal faculdade pela força ou pelo medo? Não. Musubi deve ser aprendido seguindo os princípios que foram colocados em destaque, de maneira a que o estado de consciência do aluno aikidoka se afine ao mesmo tempo que o movimento corporal. Musubi deve ser ensinado graças a interacções férteis e a conselhos suaves mas firmes.
Aprender a responder aos ataques com o princípio de musubi é um processo demorado e difícil. Não é possível atacar um principiante dizendo: "Não lutes, harmoniza-te, harmoniza-te!" O principiante não se vai harmonizar mas vai reagir pelo medo e pela agressividade, que são as reacções instintivas a uma ameaça. Ele ou ela vai tentar defender-se lutando ou ferindo o atacante.
O objectivo do Aikidô é de domesticar estes instintos animais não os favorecer. É a razão pela qual, com os principiantes em particular, utilizamos diferentes tipos de pegas e de ataques.
O principiante não tem as competências necessárias para reagir com ataques reais, murros, ou ponta-pés, mantendo-se calmo e efectuar a técnica apropriada. As pegas permitam estudar as técnicas sem que as reacções de medo interfiram negativamente no desenrolar natural e correcto do movimento. As pegas apresentam a vantagem de que os dois parceiros podem ressentir o que torna eficaz o movimento. É desejável que os principiantes começem com pegas estáticas para, desenvolver uma postura correcta, estudar o trabalho dos pés e a posição do corpo.
Posteriormente, podem passar a pegas dinâmicas que permitem desenvolver o sentido do timing,
da distância e da percepção espacial da relação com o parceiro. Os alunos aprendem então a ajustar-se com variações da natureza e da intensidade da força, da velocidade e da direcção. Podem assim adquirir confiança nas suas capacidades a comunicar com os parceiros e essa relação deve ser uma manifestação de musubi.
A prática do Aikidô, com o seu processo de aprendizagem progressivo e baseado sobre a cooperação, ensina a aplicar os princípios de musubi em situações cada vez mais difíceis. Ensina ao seu mental a manter-se calmo, a conservar uma visão clara, para que o medo, a cólera ou a falta de confiança não venham entravar o movimento do corpo. Ensina ao seu corpo a tornar-se flexível, e a reagir depressa. A prática assídua traz ao corpo a sabedoria da experiência, de maneira que o corpo se torna o reflexo, a manifestação física do seu espírito. Corpo e espírito que trabalham em conjunto permitem reagir simplesmente, eficazmente e de maneira inteligente a uma situação perigosa, em vez de se deixarem dominar pelas circunstâncias."

A avaliação
A avaliação dos alunos é baseada nos três aspectos tradicionais: Shin, Ghi, Tai. Estes pontos estão (pelo menos potencialmente) presentes em cada pessoa e encontram-se em proporções diferentes consoante cada individuo. A avaliação encarada duma forma tradicional em Aikidô não é destinada a fazer comparações com os colegas (nem feita para fazer estudos ou gráficos), mas é dirigida ao destinatário(a).
Shin: Espírito, sopro. Não devemos confundir o espírito com o mental. O espírito é a inteligência intuitiva directa. Os pressupostos para uma maior disponibilidade para esta realidade são o desprendimento relacionada com uma vida medíocre, condicionada, impulsiva e dispersa. Descriminação entre o imutável (impassível) e o efémero. Não viver com permanentes dúvidas ou oscilações, mas com continuidade no comportamento e na acção. Estar atento aos elementos negativos e destrutivos: o medo e o desejo (e sua progenitura: a esperança).
Ghi: Técnica. A técnica lida com a difícil equação: liberdade/acuidade. As técnicas devem estar focadas na noção de ligação (unidade), na noção de centro, Harmonia, equilíbrio e desequilíbrio, ataque, ter ou não aberturas, a noção de ukemi (queda com ligação), etc. Os alunos devem estar mais habituados à acuidade e à exigência dum movimento que bloqueados com alguns elementos formais (rigidez em vez de fluidez).
Tai: Corpo. O corpo é encarado duma forma não-dualista. O corpo mexe e respira mais facilmente quando relaxado, consciente e com o tónus certo. Quando “escutamos” o corpo, podemos descobrir na intenção do movimento, a existência da seguinte ordem: consciência, energia, acção. A colocação do corpo, a verticalidade e postura (coluna activa, sem tensões), o ritmo, a noção de centro, a orientação, os pontos de apoio, a acção ou imobilidade, os ombros soltos, a estabilidade e equilíbrio, a noção de maai (a distância que liga), a consciência do corpo, a energia, são algumas das muitas referências utilizadas pelo corpo durante a aprendizagem.

Crianças e Aikidô
Ensinar o Aikidô as crianças é muito parecido à transmissão do saber estar a mesa e comer correctamente, com a instalação de movimentos básicos virados para as experiências da vida e aquilo que a sensibilidade pode proporcionar.
Quando o seu filho dominar as técnicas de "pegar o garfo e comer" ou "pegar o copo e beber", a presença dos pais deve simultaneamente acompanhar e adaptar-se proporcionalmente às mudanças (nos timing certos). O importante é estar sempre disponível com sensibilidade para poder discretamente ajudá-lo, sem o fechar numa programação técnica rígida (bem intencionada, mas mal concebida). Interiorizar essas complexas manobras com total liberdade é o lema, mas sem por isso (caricaturando) deixar a criança pintar as paredes da sala com alguma papa. Travá-lo constantemente não é a solução. O acesso à liberdade pode estar condicionado na presença de chantagem afectiva ou de qualquer outra emoção geradora duma certa "desadaptação à acção alimentar-se". Contando com um tempo de aprendizagem adequado, temos que deixar uma margem para a experimentação e "erro" (por exemplo: instalar durante algum tempo um plástico no chão para conviver com a criança sem estar sob o efeito do stress). As técnicas não são feitas para voltarem a ser usadas tal e qual ao milímetro, mas para aprender princípios que vão orientar o movimento. Entre o prato e a boca a solução não é a mecanização rígida dum movimento, mas uma atitude concreta perante algo, que por sua vez é facilitador, ajudando indirectamente e ritmicamente o ajustamento do movimento correcto. Os ajustamentos mecânicos directos deverão ser pontuais, sem insistência exagerada e sem nunca perderem de vista o aspecto estrutural do gesto e o sentido global daquilo que pretendemos para a vida da criança na sua globalidade.
Os jogos, fundamentais para os mais jovens, são apresentados como "histórias fantásticas" onde cada um pode identificar-se num papel e tomar parte duma maneira activa e entusiasmada. A história deve ter vida própria e estimular a imaginação. Ela comporta regras adjacentes que fazem parte da narrativa e que vão desaparecendo na medida em que elas são assimiladas. É fundamental haver motivos para as crianças expandirem-se naturalmente e se desbloqueiem, direccionando algumas energias mal contidas, para de seguida mobilizar mais facilmente a sua atenção sobre algo diferente. Com várias experiências similares, a memória da acção conjugada com a calma encontrada será o maior argumento para uma disciplina consentida.

Linda-a-Velha, 6 de Dezembro de 2008

Jean-Marc Duclos

28/11/08

Dakshina Madhyama Vamana Nauli B

Prof Alexandra Sequeira - Centro Português de Yoga - http://www.cpyoga.com/

24/11/08

Estágio com Sugino Sensei - Copenhaga (Dinamarca)



Manuel Laranjinha participou num estágio de Katori Shinto Ryu (4 horas por dia) e de Aikido (2 horas por dia).

28/09/08

Em memoria de Sri Sri Sri Satchidananda Yogi


16/09/08

Foto de grupo Le Vigan 2008 (Site: AikiWeb)

12/09/08

O verdadeiro Aikidô?!?
(Nota: este artigo foi redigido na sequência duma intervenção no forum http://aikidoportugal.net/ com alguns melhoramentos e correcções.)
A preocupação de provar a todo o custo que um Aikidô é verdadeiro em relação a um outro falso (como se fosse uma marca de sabonete) é o sinal evidente duma enorme agitação. Sem agitação, a vida das pessoas muda substancialmente. Mas a permanência neste estado não é garantida. No Aikidô não há (ou não deveria haver) fenómeno de monopólio e de exclusão. A partir duma experiência pessoal cada um pode viver "um absoluto" como tal, e não é por isso que alguém deve desencadear "uma guerra santa" para impedir cada um de ter uma trajectória própria. Se entendemos o "verdadeiro Aikidô" como algo de absoluto e pessoal, não pode haver qualquer tipo de certificação a este nível, feito por qualquer pessoa ou organismo (por razões óbvias). Tentar impor um ponto de vista aos outros, pretender ensinar o "verdadeiro método de Morihei Ueshiba" ou de qualquer outro método infalível não ajuda nada a manter a serenidade necessária à prática do Aikidô. Não há muito espaço vital num mundo maniqueísta, onde os moralizadores se apropriam do campo do bem e remetem implicitamente os seus contraditores no campo do mal. Se algumas mentiras se limitam a abusos de linguagem, não será tão grave... até um certo ponto... pois Goebels, chefe da propaganda nazi, dizia com cinismo: "Uma mentira repetida muitas vezes passa a ser verdade".
Seguindo uma Via "Dô", a prática do Aikidô deixa as pessoas abertas e atentas à singularidade e à pluralidade da vida.
A técnica é intrinsecamente limitada a algum enunciado e à sua demonstração. O Aikidô deve evitar fechar-se numa lógica e prática que deixa de se preocupar com as pessoas ou que simplesmente não está concebida para elas em particular. O filme "Charlot nos tempos modernos" retrata bem uma certa incompatibilidade entre a planificação da cadência do trabalho e a vida das pessoas. Acreditar que chegamos ao Aikidô só pela repetição e por um mimetismo vazio é uma crença simpática sem grande consequência. Uma maneira de detectar uma assinatura falsa é quando ela é uma cópia rigorosamente igual.
Quando alguém imita outro, o que se passa é o seguinte: "desmontamos" o movimento e depois voltamos a "montar" com os nossos próprios pressupostos. Quando pintamos, reproduzir fotograficamente não é o objectivo. O importante é ver com os nossos olhos, sentir com todo o nosso corpo, a nossa pele, e apanhar o estado de espírito, ligar-se ao mundo. Quando os Pais amam os seus filhos, eles vão descobrir os gestos adequados para abrir caminhos. Há uma certa diferença entre transmissão e pedagogia.
Naturalidade, ligação e consciência são os pontos fortes duma prática de Aikidô que funciona "de dentro para fora". Fazer esforço sendo possuído pela música, pintura ou Aikidô, não é o mesmo que fazer um esforço voluntarista, desligado do espírito daquilo que fazemos. Não somos nós que pegamos a música, mas é ela que nos pega (o mesmo se passa
com Aikidô). Neste caso, a noção de esforço tem um sentido diferente. Nem todos podem chegar a uma expressão/liberdade onde os constrangimentos parecem desvanecer-se. E não são os músculos, a fortuna, a intelectualidade, os títulos que podem mudar algo neste nível.
Não há máquinas para formar artistas. Não são programas ou Universidades que formam os artistas. Não são esquemas pré-estabelecidos que podem levar alguém a ser um artista. Não há qualquer fronteira, classes sociais, ou trabalhos específicos que podem comandar ou condicionar a inspiração. A inspiração é este algo no nosso ser profundo que "fala", que dá aos nossos movimentos a precisão, a leveza, a ligação, a estabilidade, a calma e a consciência.
Para quem quer um percurso repleto de certezas científicas (atingi um resultado, quero, e posso repeti-lo à vontade) tem que escolher outra coisa que o Aikidô. Com o Aikidô não há lugar para esta arrogância que quer controlar e mandar em tudo. É pelo contrário um percurso cheio de incertezas e esforços que levam muitas vezes a nada. Mas este "nada" é também importante, faz parte da procura. A medida certa do nosso esforço é um esforço sem ego.
O exemplo da educação é elucidativo. Uma educação que foi dada naturalmente com precisão, liberdade e amor, sem constrangimentos exagerados, não pode ser substituída por formalismos exteriores mal assimilados. E não é com o livro "As boas maneiras em 10 lições" da Paula Bobone, que vou aprender e conseguir estar à vontade com o mesmo respeito, na mesa do "Presidente da República" ou num outro contexto, na "tasca do Zé". Posso aprender de cór o número de talheres, as fórmulas para dirigir convenientemente a palavra a um embaixador ou a um cardeal, etc, não vai alterar nada a minha eventual falta de jeito; é verdade que pode aliviar alguma ignorância, mas nunca substituir o "fogo" da educação e a sua naturalidade.
Uma transmissão autêntica não pretende dar lições a ninguém. Ensinamos mais por aquilo que somos que por aquilo que dizemos. Para interpretar é preciso pôr os automatismos de lado, abrir-se à experiência e as suas dificuldades, não ser preso do "querer fazer" ou de ser isto ou aquilo. É preciso também ter aprendido as técnicas com a preocupação de soltar-se, sem estar à espera de resultados imediatos.
No fundo o "verdadeiro Aikidô"
é o seu Aikidô, é aquele que passa intimamente pelas pessoas, é aquele que manifesta Harmonia com aquilo que nos rodeia, que pode aparecer sem ser convocado, que não podemos verdadeiramente explicar, e que provavelmente não precisa de ser explicado.
Jean-Marc Duclos
14 de setembro de 2008


Creative Commons License
O verdadeiro Aikidô?!? by Jean-Marc Duclos est mis à disposition selon les termes de la licence Creative Commons Paternité-Pas d'Utilisation Commerciale-Pas de Modification 2.5 Portugal.

Article em français

27/07/08

Exames de graduações no sábado, dia 25 de Julho de 2008

32 Alunos(as) promovidos(as) na Associação Portuguesa de Aikidô e Disciplinas Associadas - APADA (parabens!)
Contamos com a presença de Tiago Corrêa Figueira, Presidente da direcção da APADA (obrigado!)

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Cinto negro (com hakama)




Filipe José de Carvalho Cordeiro Miguéns





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Ruben Danilo Jesus Cabral






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Cinto castanho 1 kyu (com hakama)
Miguel Ângelo Rodrigues Gonçalves
Rodrigo João Melão Dias

Cinto branco 2 kyu (com hakama)
Aymeric Imbert (por equivalência)
Jorge Manuel Anastácio
Paula Alexandra Caldas Amaral
Vítor Manuel Ramos Pereira

Cinto branco 3 kyu (com hakama)
António dos Santos Baptista
Jorge Manuel Alves Chambel
Luís Filipe Salvado Lima Gonçalves
Nuno Miguel Cipriano Paiva

Cinto branco 4 kyu (com hakama)
Duarte da Costa Seixas Menezes
Gonçalo Nuno Fernandes Pires
Maria Isabel Esteves Coelho

Cinto branco 5 kyu (com hakama)
Ana Pedro Inácio
David André Henriques Dinis
Diogo dos Santos Ventura
Filipe Nuno Gouveia Ferreira
Helena Isabel Carreiros Pedroso
Joris Peignot
Nuno André Proença Vaz Seabra
Maria Leonor Tavares da Silva
Pedro Miguel Oliveira dos Santos
Pedro Ricardo Granjo Azevedo
Tiago Napierala Ovidio Campos Ribeiro

Cinto branco 6 kyu (com hakama)
Alfredo Conde Moreno
Carla Raquel Gonçalves Mouta
Catarina Beija Botelho

Cinto violeta 7 kyu (sem hakama - crianças)
David Augusto Silva Anes
Joana Robalo Gomes F. Dias
João Pedro Trindade Pereira

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Algumas fotos

17/03/08

AikiLis 2008

Gostamos muito do estágio AikiLis 2008. Tivemos um Professor com uma grande experiência, com uma grande subtileza, foi difícil seguir, mas muito proveitoso.
Vamos ter trabalho para alguns anos!

Muito Obrigado Kevin Choate Sensei! - Thank you very much Kevin Choate Sensei!

Deixo aqui uma foto de grupo (para ampliar a foto, clicar em cima sff).



93 fotos - AikiLis 2008

Foto de grupo formato máximo

01/03/08

Formulas de boa educação em japonês

Encontrei um blog interessante (em francês) do Senhor Hisashi FUKUI (MySpace.com - fisaxij) que viveu durante um período da sua vida em Montpellier (França). Vou passar a traduzir algumas das suas intervenções que podem ser útil aos meus alunos (e eventualmente interessante para amigos e visitantes).

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Haï não quer dizer "sim".
Algumas pessoas podem achar que os japoneses são ambíguos, quando reparam que o "sim" nunca corresponde a um verdadeiro "sim". Mas esta constatação é injusta, porque a tradução é má. O erro pertence à pessoa que divulgou esta tradução. A palavra japonesa "hai" é uma resposta que quer dizer: "entendi aquilo que me disse". É verdade que os japoneses pseudo-lusófonos traduzem simplesmente "hai" pela palavra "sim", o que desencadeia uma certa confusão.
Se perguntarmos a um japonês "Podes emprestar-me algum dinheiro?" e se ele responde que "sim" não quer dizer que ele vai emprestar o dinheiro, mas para quem é consciente da tradução correcta, a resposta significa: "estou a ouvir".

"Sayônara" as subtilezas entre o "Até breve" e o "Adeus".
Pois, não é nem o "bom dia", nem o "Olá".
O uso desta palavra é delicado. Nas situações que requer uma certa formalidade, esta palavra quer dizer com efeito "adeus". Mas se a minha apaixonada me diz "Sayonara" isso quer dizer "Adeus, a nossa relação acabou". Mas não podemos generalizar, pois no fundo depende das pessoas. Em todo o caso, se alguém utiliza esta palavra sendo uma pessoa intima, pode haver uma pitada de brincadeira (ou então um género de desconforto) . Para dizer "adeus" em japonês, é preferível utilizar "soredewa mata" ("até a próxima") .

Konnichiwa não é uma "palavra chave" para todas as ocasiões.
Desde o levantar até ao meio-dia utiliza-se Ohayô (gozaïmasu), e Konban'wa a partir do pôr do sol até ao deitar. Assim, à uma da manha, não se usa Ohayô (gozaïmasu), mas Konban'wa.
Mas mesmo durante o dia, onde a palavra Konnichiwa é destinada a ser usada para cumprimentar alguém, tem de ser pronunciada com precaução.
Nesta forma de cumprimentar, há uma certa familiaridade que pode incomodar algumas pessoas. Quando falamos com alguém na rua, utilizar Konnichiwa é malcriado ou rude. Ao dirigir-se a alguém temos que dizer previamente "Sumimasen" que quer dizer "peço desculpa do incomodo". Num país lusófono, o melhor é dizer: "bom dia", no Japão é: "Sumimasen". A palavra chave de uso múltiplo tem mais a ver com "Domô" que significa mais ou menos "não sei o que há para dizer". Pode servir de substituto para: bom dia, adeus e obrigado. Mas infelizmente não pode ser usado com alguém que cruzamos na rua. A palavra recomendada é sempre "Sumimasen" (se-mi-ma-sé-n).

Itadakimasu não quer dizer "Bom proveito".
Esta palavra quer dizer "tomo aquilo que me oferece com humildade". "Aquilo" pode ser uma refeição mas igualmente uma recompensa por um serviço.
Desta forma são os convidados que dizem "Itadakimasu", mas nunca os hóspedes (seria absurdo). Estes podem dizer: "Dôzo méshiagaré", "queiram aceitar tomar esta refeição"

30/01/08

O cântaro rachado

"Uma senhora chinesa com uma idade avançada possuía dois grandes cântaros, cada um deles suspenso na extremidade de uma vara que ela transportava, apoiada na parte de trás do seu pescoço. Um dos cântaros estava rachado, enquanto o outro estava em perfeito estado e transportava sempre a sua ração de água completa. No final da longa caminhada, do riacho para a casa, o cântaro rachado, ficava sempre meio cheio. Tudo isto se desenrolava quotidianamente durante dois anos inteiros e a velha senhora só trazia para casa um recipiente e meio de água.
Evidentemente, o cântaro intacto estava muito orgulhoso do seu desempenho. Mas o pobre cântaro rachado tinha vergonha das suas próprias imperfeições. Sentia-se triste dado que só podia fazer a metade do trabalho para o qual estava destinado. Depois de dois anos do que ele sentia como um fracasso dirigiu-se à velha senhora, quando estavam perto do riacho: "Tenho vergonha de mim próprio, porque a racha que tenho num dos lados deixa a água escapar-se ao longo de todo o caminho de regresso a casa."
A velha senhora sorriu: "Será que reparaste que há flores no teu lado do caminho, e que elas não existem do outro lado? Eu sempre estive a par da tua racha, e então eu espalhei sementes de flores no teu lado do caminho e cada dia, durante o regresso a casa, elas iam sendo regadas... Durante dois anos, pude assim colher magníficas flores para enfeitar a mesa. Sem ti, sendo simplesmente aquilo que tu és, não poderia ter havido essa beleza para fazer parte da natureza e enfeitar a casa."

Texto encontrado em francês:
http://www.yogasatyananda-france.net/pages/fr/newsletter-yoga.php

26/01/08

"O Centro"

"Não te assumas por ti mesmo"
Só para pessoas verdadeiramente ambiciosas ;-)


É mais acertado em francês: "Ne te prends pas pour toi même"

Lembrança:
Não limitar o sentido da palavra "centro" a mecânica ou a física.
"A experiência é uma lanterna que só ilumina o caminho percorrido."
Não esquecer que o "menos" não produz o "mais".

11/12/07

O Aikidô é a prática dum "movimento desconhecido".

(desconhecido mas não inconsciente!)

Desconhecido, logo com presença.

Por exemplo, ao cumprimentar alguém com sinceridade, utilizamos "um movimento desconhecido", que é "actualizado" (preenchido) pela própria acção e nós permite, entre outras coisas, conhecer duma certa forma.

É por isso que nunca devemos confundir Aikidô e "técnica de Aikidô". No Aikidô não treinamos, praticamos! Este aparente detalhe revela-se como uma importante diferença.

05/12/07

Cherry Blossom 2008
"Aikido Shobukan Dojo" - de 4 a 6 de Abril de 2008
Mitsugi Saotome Sensei na sua permanente procura e preocupação de instruir os seus alunos sobre todas as facetas da pratica do Aikido, convidou este ano para o próximo "Cherry Blossom 2008": Shinichi Deguchi Sensei, e Naoko Deguchi, "Omoto Sendoshi", bis-bisneta de Onisaburo Deguchi e 5a dirigente espiritual da religião Omoto.
Quem estiveres interessado a participar deverá estar muito atento a abertura das inscrição, pois este seminário sera muito muito concorrido pelo facto existir poucas oportunidades parecidas a esta e poder ouvir e compreender as influencias desta religião sobre Morihei Ueshiba.

Serio(a)

de Jean Bouchart d’Orval

(o "portunhol" sera corrigido amanha...)

"Serio, não quer dizer grave ou pesado; ser serio(a), quer dizer não mais se contentar das imagens, do parecer, e olhar simplesmente. Neste sentido, as pessoas pesadas e irrequietas vivem na superfície e não são muito serias. O facto de ser pesado decorre do narcisismo."

No livro: “L’Impensable réalité - Physique et sagesse traditionnelle”

A tradição

de Jean Bouchart d’Orval

(o "portunhol" sera corrigido amanha...)

"(...) É importante de bem distinguir tradição espiritual e religião. A tradição é uma Via, uma maneira de celebrar o impensável e de o viver.

Uma tradição espiritual é viva, fluida: não podemos a fechar numa codificação, mesmo se ela formula as coisas duma maneira forçosamente codificada. Ela não trata das coisas para fazer ou não fazer, a pensar ou a não pensar, a ideia fundamental é a escuta.

A palavra tradição refere-se a aquilo que em nós é vertical, intemporal e impessoal. O seu sentido foi largamente desviado nos dias actuais, o mais comum é utilizar esta palavra para designar uma pessoa conservadora, convencional, até com medo. Um ser humano tradicional é o contrário aquele da virtus dos antigos romanos, aquele da virya da Índia tradicional. É o ser humano cuja a vida é orientada sobre o intemporal e o impessoal, sobre o sagrado. É sagrado aquilo que é sem objectivo, sem cálculo, aquilo que é pura entrega, imparável entusiasmo interior. Um ser humano da tradição é aquele que vive em acordo com os ritmos profundos da existência, com a inevitabilidade da vida: não há pretensão virada para o poder ou tentar evitar o inevitável."

No livro: “L’Impensable réalité - Physique et sagesse traditionnelle”

21/11/07

Livro em francês
Recomendo a leitura deste livro para quem gosta desta tema.
Titre: L'impensable réalité - Physique et sagesse traditionnelle
Auteur: Jean Bouchart d'Orval
ISBN: 9782351180099
Lien de la maison d'édition
Résumé
Pendant que la plupart d'entre nous regardent ailleurs, quelque chose de bouleversant est en train de se passer. Une croyance fondamentale rarement mise en question voudrait que le monde soit fait de choses "réelles" séparées les unes des autres et évoluant dans un espace et un temps eux aussi réels. L'impensable réalité montre comment la physique est de plus en plus forcée d'avouer que, finalement, il n'y a pas de choses dans l'univers. La mécanique quantique et la relativité n'ont même pas fini d'ébranler nos images classiques que de stupéfiantes percées théoriques sur l'origine de l'univers - sur le point zéro - tendent à montrer que celui-ci est essentiellement non "physique" et intemporel.
L'impensable réalité invite à regarder directement le cœur de l'univers là où il est: ici et maintenant. Cet ouvrage attire par ailleurs l'attention sur un courant spirituel encore peu connu en occident, le shivaisme tantrique du Cachemire qui coule aisément dans le lit laissé vacant par la physique moderne.

Extrait du livre: (page 11)

"Hymne des origines (Nasadiya sukta) Rig Veda X, 129

Il n'y avait alors ni espace physique, ni espace subtil.
Qu'est ce qui voilait Cela, qu'est-ce qui l'abritait?
Qu'était l'Eau sans fond et impénétrable?

Il n'y avait ni mort ni même immortalité,
Il n'y avait alors aucune manifestation de la nuit et du jour.
Ce Un respirait sans souffle, mû de soi-même.
Qu'y avait-il d'autre que Cela? Quel délice supplémentaire
pouvait-il avoir?

Au tout début, des ténèbres recouvraient les ténèbres.
Cette Étendue indistincte était tout.
En ce temps, ce Non-né vacant, ce Un tout-puissant,
Émergeant, apparut par le pouvoir de l'Ardeur.

Au début, se développa une sorte de Désir,
qui fut le tout premier germe de la pensée.
Cherchant avec sagesse au plus profond d'eux mêmes,
Les visionnaires découvrirent le lien entre le manifeste
et le non-manifeste.

Leur cordeau était tendu à l'horizontale.
Quel était le dessous, quel était le dessus?
Il y eu des porteurs de semences et de puissantes forces;
En bas était l'instinct, en haut la Grâce.

Qui sait en vérité? Qui saurait annoncer ici
D'où est apparue cette création, d'où elle a été lancée?
Même les dieux sont en deçà de cette émergence.
Qui peut dire d'où elle émane?

Cette création, d'où elle émane,
Si elle est tenue ou si elle ne l'est pas,
Celui qui l'imprègne dans l'espace le plus subtil
Le sait sans doute, ou peut-être ne le sait-il pas..."

20/09/07

Autonomia em Aikidô

Quando queremos praticar um Aikidô que funciona de "dentro para fora", é fundamental que o exercício da autoridade sobre nós mesmo e sobre os outros (no caso do ensino) seja feito num clima de liberdade.
Ninguém pode outorgar autonomia a ninguém. Não há diplomas de autonomia ou carteira profissional que outorgam autonomia.
Não devemos também desprezar o aspecto formal e relativo da autonomia, que pode se manifestar na condição social (intelectual ou outra) ou das relações que podemos ter com a sociedade.
Normalmente, a autonomia tem mais a ver com a maturidade, compreensão, experiência, conhecimento, sabedoria, condições para orientar-se, etc.

28/07/07

Exames de graduações no sábado, dia 28 de Julho de 2007

32 Alunos(as) promovidos(as) na Associação Portuguesa de Aikidô e Disciplinas Associadas - APADA (parabens!)
Contamos com a presença de Tiago Corrêa Figueira, Presidente da direcção da APADA (obrigado!)

Cinto branco 6 kyu (com hakama)
Ana Filipa Cunha Marcelino
Ana Pedro Inácio
António Pedro da Silva Martins Lima
David André Henriques Diniz
Duarte da Costa Seixas Menezes Cardoso
Filipe Nuno Gouveia Ferreira
Helena Isabel Carreiros Pedroso
Joana Duarte Vantache
Maria Leonor Tavares da Silva
Nuno André Proença Vaz Seabra Lopes
Pedro Ricardo Granjo Azevedo
Vera Maria Esteves da Cunha Mendes

Cinto branco 5 kyu
Brendan Jake Hughes
Gonçalo Nuno Fernandes Pires
João Pereira Rezende Neves
José António Sarmento de Medeiros
Lino Miguel Silva Rodrigues
Susana Patrícia Simões Coito

Cinto branco 4 kyu
Luís Filipe Salvado Lima Gonçalves
Jorge Manuel Alves Chambel
Gabriel Manuel Paiva de Oliveira
Cristina Alexandra Dantas de Magalhães Coelho
António dos Santos Baptista
Nuno Miguel Cipriano Paiva

Cinto branco 3 kyu
Paula Alexandra Caldas Amaral
Vítor Manuel Ramos Pereira
Luís Gonçalo Faro Macieira
Jorge Manuel Anastácio

Cinto branco 2 kyu
Miguel Ângelo Rodrigues Gonçalves

Cinto castanho 1 kyu
Ruben Danilo Jesus Cabral

Cinto negro




Joaquim António Venâncio Pires Coelho







Manuel de Sousa Martins Laranjinha








26/06/07

Visiting...


Memorial: "The Cross" (nós temos a vista com um pouco de nevoeiro, sobre San Diego e o mar)



A praia "La Jolla" (o "J" é um "Rrr") com pessoas bem dispostas

25/06/07

Visita do local de trabalho da Mariana no "Scripps Research Institute" - La Jolla - San Diego - California






20/02/07

Os japoneses, o Imperador do Japão, a II Guerra Mundial, ... e a Senhora americana Ruth Benedict (antropóloga)
(Já agora! Não é proibido reflectir em paralelo sobre a trajectória do Aikidô na mesma época)

Para perceber, entre outras coisas, o nacionalismo japonês da II Guerra Mundial, o livro de Ruth Benedict "O Crisântemo e a Espada" aparece como uma feramenta de primeira categoria.
Duma maneira geral, é descrito as diferenças de comportamentos entre os japoneses e os americanos.
As mudanças e adaptações do pôs guerra demonstram a capacidade extraordinária do povo japonês para recuperar duma devastação.
O livro trata tambem das relações dos japoneses, em familia, com o patrão ou chefe, com o estado, faz um levantamento dos problemas da etiqueta e dos deveres nos vários estratos sociais. Muito interessante! Desperta a curiosidade e a vontade de aprofundar mais os nossos conhecimentos sobre o Japão.
Os professores de Artes Marciais que praticam a etiqueta japonesa deveriam estudar este livro.
Para compreender a etiqueta das Artes Marciais, é preciso primeiro entender a etiqueta da sua propria cultura, depois compreender a etiqueta geral em todos os níveis da sociedade japonesa , e só a partir deste ponto que estamos realmente habilitados para estudar seriamente a etiqueta das Artes Marciais japonesas.
Qualquer pessoa que se interessa pelo Japão deve ler este "clássico" que retrata bem a complexidade duma cultura e a dificuldade dos ocidentais a conseguir uma compreensão fidedigna.
Também não devemos perder de vista que o livro é longe de não apresentar importantes defeitos.
Avaliar correctamente a nossa própria subjectividade e ignorância e as consequências que representam o inconveniente do uso de determinadas ferramentas (modelos) para a análise, deve ser em determinada circunstâncias, uma tarefa bastante complicada.
Algumas notas: Globalmente, e relativamente a Índia, Ruth Benedict fala "genericamente" em coisas mereciam um tratamento diferenciado: várias maneiras de abordar o yoga, diferentes tipos de budismo, o jainismo. Do outro lado, no Japão por exemplo, não podemos confundir o substrato de épocas distintas (pré-história e o contemporâneo): o xintoísmo antigo ou "da origem" (Kanagara-no-michi) e a tentativa durante a guerra de reproduzir artificialmente por decreto governamental, um xintoísmo indirectamente dominado pelo Estado que pretendia ser unido e não religioso como se fosse a manifestação daquilo que podemos chamar para simplificar o "paraíso na terra". É de ressalvar que o xintoísmo espontâneo (popular) não foi afectado, nem proibido.
Globalmente o livro é positivo. Recomendo vivamente a leitura.
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Language English
The Chrysanthemum and the Sword
by Ruth Benedict
Publisher: Mariner Books (25 Jan 2006)
ISBN-10: 0618619593
ISBN-13: 978-0618619597
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Língua Portuguesa
O Crisântemo e a Espada
Ruth Benedict
ISBN: 8527301334
Editora: Perspectiva (Coleção Debates) 2006
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Langue Française
Le Chrysanthème et le sabre
Ruth Benedict
Éditions Philippe Picquier (1995)
Prix: 10.50 €
ISBN : 2876222342
Comprar o livro em francês

28/01/07


Prática Geral da APADA - 27 de Janeiro de 2007




01/12/06

"Structure/Function of Vif protein in the HIV-1 infectivity: Molecular and cellular study"
...?!???...


Não perceberam nada com o titulo? Eu também não! (e não é só por causa do inglês!). Pois, neste mundo estranho de "coisas minúsculas" que são os virus só os entendidos podem realmente ver e perceber... Consciosamente, tentei ler o documento, em vão, nem cheguei a compreender os bonecos. :-)

Já agora, fica em baixo, um exemplo do tipo de fotos que encontrei, ressalvando que este boneco é o genero mais simple.

foto tirada num artigo da revista nature
Heather L Wiegand, Brian P Doehle, Hal P Bogerd and Bryan R Cullen


Mas a noticia é:

Mariana Santa-Marta doutorou-se em Farmácia no dia 30 de novembro de 2006, e foi admitida com distinção e louvor por aclamação..

A SIDA (AIDS) é uma doença que aflige milhares de seres humanos, e fiquei orgulhoso de presenciar o contributo da minha filha para compreender melhor este flagelo.

08/10/06

Algumas Fotos

Ficam aqui as fotos de grupo entre 2000 e 2006:

Le Vigan 2000

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Le Vigan 2001
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Le Vigan 2002
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Le Vigan 2003

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Le Vigan 2004

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Le Vigan 2005

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Le Vigan 2006
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Summer Camp 2005 - Washington Dc
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O meu mestre de Aikidô, Mitsugi Saotome Sensei em fato tradicional de ceremonia
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a regar as flores, o seu mestre, Morihei Ueshiba Sensei
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26/09/06

Ser guerreiro(a)?
Para um(a) verdadeiro(a) guerreiro(a) (sem ser um doente mental, afogado(a) e perdido(a) na sua loucura), não há competição e esta condição nunca poderá ser assimilado a um desporto, é algo mais radical e mais terrível por natureza. Nada a ver com os filmes, nem com os jogos vídeos mesmo aqueles que metem medo.
Respeito os(as) guerreiros(as), mas as vezes, há alguns(mas) que ficam tão marcados(as) pela guerra que ficam meio doentes o resto da vida, quando não se trata em alguns casos de alienação onde não há "nem fé nem lei".
Há muitos jovens que sonham de se tornar guerreiros(as). Será que sabem verdadeiramente o que isso implica?... e quais são as consequências para eles e para os(as) outros(as). Sabem do que se trata na realidade (não virtual)?
E sobretudo esta pergunta: Será que temos a mesma aptidão para este tipo de actividades? Toda gente não tem automaticamente esta vocação. Podemos pensar que a formação e a vontade podemos chegar onde queremos (é talvez verdade para algumas coisas), mas nem é sempre verdade para tudo. Mesmo tendo o melhor professor do mundo. Há sempre um limite para os indivíduos e com o uso da educação, principalmente para aqueles que procuram ultrapassar-se incansavelmente. Para evitar esta arrogância infantil, é melhor ter uma noção dos seus limites.
Ser guerreiro(a) não corresponde a um novo género de consulta psiquiátrica onde é possível exorcizar as suas frustrações, batendo no vizinho, e ser reconhecido logo a seguir como super-homem (super-mulher) do nosso bairro. Felizmente para alguns, sonhar não corresponde totalmente a realidade! Digo isso por que já vi (uma minoria) alguns que não param de magoar terceiros como por sadismo.
Ter a possibilidade de decidir entre a vida e a morte para os outros(as) e para si mesmo, corresponde a ser um(a) guerreiro(a). Ser um(a) guerreiro(a) é para os crescidos(as), gente equilibrada, honesta, tolerante, justa, com uma grande dose de bom senso, e sobretudo com um grau de maturidade muito elevado.
Não são automaticamente as pessoas com mais músculos que se mostram os mais aptos a resistir ao impacto psicológico de estar confrontados com verdadeiros mortos, verdadeiros feridos, verdadeiros problemas com a noção de obediência quando é mandado matar outras pessoas, sem fazer casos. Já não se trata de jogos… Praticar um desporto tem nada a ver com a aprendizagem dum(a) guerreiro(a), só em caso de inconsciência, onde a vida tornou-se um mero detalhe (como nos soldadinhos de chumbo).
Não há gentis guerreiros(as), ou meios guerreiros(as). Ou somos um guerreiro(a) ou não. O facto de vestir qualquer farda ou usar armas, não faz de nós um(a) guerreiro(a). É preciso reunir duas coisas fundamentais: a aptidão e a preparação. A preparação, só por si, não chega. Aproximar-se dum(a) verdadeiro(a) guerreiro(a) quando vivemos na mesma condição, tem qualquer coisa de francamente perigoso, a menos de se submeter.
As aparências são muitas vezes enganadoras. A este respeito temos a historia do escorpião que queria atraversar um riacho, encontrou uma rã no seu caminho que fugiu no mesmo instante.
- Oh tu a rã! anda cá! não foge, não te quer mal! só quer que me ajudas a atravessar o rio! - Estas a brincar comigo, vou ser logo picado!
- O teu raciocínio tem falta de lógica, se faço isso no meio da água, vou também morrer.
- Não tinha pensado nisso, então sobe nas minhas costas, vamos atravessar! Ao meio do riacho, o escorpião não resiste e pica a rã.
- Aaaahh estou perdido, mas porque fizeste isso? Vais morrer também!
- Não posso fazer nada, esta dentro da minha natureza. (…)
Um escorpião não é verdadeiramente mau quando pica, nem mesmo o leão que devora a sua presa. Não devemos também confundir gêneros, por causa de algumas semelhanças morfológicas: Um tigre não é um gatinho “modelo XXL”. O erro continua de ser fatal.
Agora fica por saber se a pratica do Aikidô tem algumas parecenças com a pratica do(a) guerreiro(a) e em qual medida?
Sentido: Tradição (ou tradicional) pela voz dum autor

Num livro cujo o nome autor do autor esta infelizmente esquecido, se dizia mais ou menos nestes termos: "É como uma verdade imutável, mas que pode, que deve adoptar umas formas diversas consoante os tempos, os locais, as pessoas ensinadas, sem isso, estagna e degrada-se por causa dum "peso" que muitos as vezes alguns chamam a contra senso: "tradicionalismo". Nem a Índia, nem a China, pediu uma vez aos seus sábios de ser "originais". Criar um "sistema" no qual damos o nosso nome, inventando assim um novo "ismo", é uma preocupação mundana, puro produto ou hipertrofia dum "eu" a procura de reconhecimento."
Mu kamae
Mu kamae é normalmente traduzido por: "a guarda vazia ". É importante dizer que não se trata duma posição formal, que também não pretende renegar nada, nem a pertinência dos alinhamentos (com grandes vantagens e poucos inconvenientes), nem os outros detalhes táticos ou técnicos.
Mu kamae, só pode ser entendido por alguém que já ultrapassou a técnica, depois de tê-la compreendida na sua carne e nos seus ossos, e que não deixou de reparar a sua relatividade e sua condicionada imperfecção.
Mu kamae acaba por não pôr a razão sempre em primeiro plano (sem se sentir obrigado de fazer-lhe a guerra), mas deixar a consciência (não limitado ao pensamento) escolher por si própria. Um centro inteligente em harmonia com a natureza e aparentemente aleatório por não utilizar a escala dos nossos esquemas mentais.
Quando não conseguimos entender os projectos do outro e que temos o infeliz habito de fazer da nossa razão um dictador, temos provavelmente a sensação de vazio quando estamos confrontados com algo que se situa fora dos nossos automatismos.
Não é necessário de inventar um novo mundo, com o seu espaço intencionalmente alternativo, a parte, e provavelmente irrealista. Mu kamae é precisamente o contrario, é assumir a realidade, não como ela se apresenta nos nossos olhos ("bloqueados" por conceitos inconscientes predeterminados), mas como ela é, sem intelectualização estéril a este nível. A realidade é Mu kamae, a harmonia com aquilo que nos rodeia.

24/09/06


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Os alunos devem ser progressivamente ensinados a tomar conta da sua prática duma forma individual e consciente, e não devem ser habituados a serem permanentemente assistidos na medida duma autonomia real. Não se trata de desistência da permanente acção saudável do professor, que estará mais que nunca disponível, mas antes dum relacionamento diferente do aluno com ele próprio e com os outros. Eles vão aprender assim procedimentos, meios de controlo ligados a uma autogestão, que se pretende natural, capacidade não reativa a solicitações externas ou internas, e tomada de consciência de todos os elementos estruturais necessários e relativos ao desempenho e ao acompanhamento de qualquer posição ou movimento do corpo relacionado consigo próprio e com o parceiro de Aikidô. Utilizando uma imagem, podemos assim dizer que temos que “entregar” ao aluno uma “guia de marcha” onde estarão consignados os passos e as indicações generalistas e globais que vão servir de referencial ao longo do tempo.

I - Compreensão generalista da noção de procedimento
Nas aulas iremos ensinar qual é a utilidade dum procedimento com uma “lógica” estabelecida na abordagem duma dificuldade, no intuito de produzir um determinado efeito mais ou menos controlado, com a caracterização de etapas mais ou menos formalizadas. Um procedimento acaba por ser um atalho para chamar a atenção de quem não domina o pleno conhecimento de algo e/ou um paliativo para a falta de consciência.
1) O “Reigi-Saho” ou a etiqueta. A etiqueta tem, grosso modo, dois aspectos: O aspecto formal e normativo na sociedade (regulação social), e um sentido individual de purificação. Temos um exemplo, na relação que a consciência do corpo pode entreter com o mundo, e os efeitos que decorrem dessa interacção e que podem ser acompanhados: gestão de espaços, de emoções negativas e positivas, da agitação e calma, da distância que une e separa, da percepção da liberdade, da respiração, da concentração, etc. no sentido de se tornar presente, em harmonia e disponível quando necessário.
2) A técnica. Durante a demonstração do professor, a percepção do aluno realiza-se sem o “ruído” de qualquer tipo de pensamento. Ele apanha os “pontos de aprendizagem” que a sua consciência consegue traduzir. Uma técnica de Aikidô não desenvolve um conhecimento abstracto fora de contexto, nem pretende nada durante a sua execução, senão a vivência do momento presente. Intrinsecamente a técnica de Aikidô conjuga espontaneamente e ao mesmo tempo complexidade e simplicidade. É importante que os alunos sejam capazes de fazer a diferença entre “técnicas de Aikidô” e “Aikidô”. Entre a música dum virtuoso e aquela que é interpretada duma forma estudada e artificial, o ouvido não se engana.

II - O corpo - Abordagem feita pelo Aikidô
Numa aceitação mecanicista, o corpo é um conjunto de partes que fazem sentido. Mas desta forma, para ultrapassar a mera teoria, temos que tomar consciência destas partes. Na realidade a aprendizagem não funciona duma forma tão linear; sobre este assunto, podemos reparar, a tentativa que as técnicas do Aikidô representam para não “perturbar a composição sensível destes dados (vistos como tal)” no seu contexto natural. No caso do trabalho com os(as) alunos(as), a ideia básica a reter pelo professor, é a “tomada de consciência do corpo”.
O Aikidô “escolhe” sempre a via de “não fazer força” ou de utilizar a menor força possível e preservar geralmente uma flutuação natural e fluida entre o uso da força ou não. A sua utilização na prática, não deverá estar automaticamente associada a um aspecto funcional (escolha que se torna compulsiva, quando é um impeditivo a vivências diversas, ou restringe a ausência de intenção e/ou o repouso), para não “curto-circuitar” a qualidade “linguagem” presente no Aikidô. A técnica é praticada e ensinada com uma vocação o menos que possível descritiva, mas o suficiente para conseguir cativar a presença e consciência do aluno. Uma outra particularidade do Aikidô reflecte-se também na técnica por ser ao mesmo tempo simples e abstrata. Temos que assentar que a concepção duma pedagogia fundamentalmente baseada sobre o isolamento e organização de “factores elementares” acaba por mudar as características do Aikidô e transforma-o numa coisa completamente diferente sem mudar a sua aparência.

III - O corpo e o efeito de balança
Tecnicamente o corpo pode ser abordado como uma balança, para que se possa experimentar o balanço e as suas compensações permanentemente relacionadas ao centro de massa, aos apoios e à acção em curso por imposição externa, por decisão própria, ou por correcção postural. Os exercícios dinâmicos de ligação com tomada de consciência entre uma parte do corpo que actua em ligação com outra parte que presta assistência de várias maneiras, são excelentes estímulos. Veremos na queda por exemplo, o funcionamento dos “dois pratos da balança” na distribuição do peso a volta dum eixo. Reparar que a posição estática pode acolher o repouso ou não. E notar que a tomada de consciência de outros tipos de dinamismos perceptíveis pode ser realizada em posição estática ou durante uma acção.

IV - O ataque, a ausência da noção de papel no Aikidô, e a aparente contradição numa fase intermediária da aprendizagem
Quando um aluno principiante está a aprender um ataque, de repente é preciso assumir um papel que levanta dificuldades para alguns. Não constitui uma informação de grande utilidade transmitir ao principiante que não existe a noção de "papéis" em Aikidô, quando sabemos que só a partir dum certo nível de prática conseguimos identificar esta realidade. O Professor deve assim encontrar as ferramentas mais adequadas, que originam uma melhor compreensão do aluno num determinado momento. Algumas fases intermediárias de aprendizagem utilizam por vezes intenções e imagens sugestivas como meios alternativos. A inconsistência de alguns artifícios será naturalmente revelado quando aquilo que é verdadeiramente importante for colocado no bom momento, no local certo e com o sentido de oportunidade. O ataque deve ser espontâneo e com intenção, e deve corresponder a uma aprendizagem para os dois parceiros. A ligação deve permitir a cada um de ser autêntico e proporcional.


V - A agitação na prática e tomada de consciência
O papel da agitação na perturbação da consciência poderá ser ilustrada pela imagem dum macaco preso a uma corda atada a uma estaca, e que salta sem parar, gritando e puxando a corda dum lado para o outro, sem conseguir libertar-se. Quando o macaco, cansado de tanta efervescência, se acalma, senta-se ao pé da estaca. Perto do “centro”, aliviado da sua teimosia e ignorância, a consciência apurada encontra a paz.
Num outro registro, temos o exemplo do combate simulado com várias técnicas convencionadas de bokken (sabre de madeira), efectivado entre dois parceiros avançados e determinados, praticado com um ritmo não linear e com o sentido da oportunidade em cada instante. Kumi tachi é o nome deste tipo de trabalho. Se for bem feito, podemos facilmente imaginar que uma pessoa menos experiente pode tornar-se tão agitada como o nosso “macaco saltitante”. Mas nem sempre a agitação é perceptível.
Normalmente, quando uma sequência é executada, a nossa consciência encontra-se atarefada com o seu papel técnico de “ego actuante” que se torna crispado, quando a adaptação do movimento (e da consciência) ultrapassa a sua capacidade de previsão. Neste caso, quanto maior é a implicação menos oportunidades surgem. Durante o “fogo da acção” o praticante poderá tentar manter a consciência canalizada no sentir duma parte do corpo, do princípio ao fim, sem interrupção, e sem diminuir a intensidade do trabalho em curso. Assim, se for bem sucedido, a consciência terá a oportunidade de se “descolar” do “ego actuante” e adquirir estabilidade sem compensações, e receptividade para acolher mais facilmente a intuição.

VI - As quedas
A queda por definição não é destinada a ser um movimento de demonstração, no caso do Aikidô é o prolongamento natural duma projecção. O parceiro projectado é submetido a quedas, normalmente sem apoio (contrariamente ao ex. do koshi-nage), e apanhado num movimento aleatório, na pior das hipóteses, sem tempo para fazer uma previsão. As técnicas de quedas não devem ser ensinadas durante muito tempo individualmente, sem a actuação saudável dum parceiro. A ligação espontânea da queda com a projecção é fundamental para seguir o seu destino dentro de um leque de 360 graus, com agilidade e sem hesitações. Grandes precauções devem ser tomadas.

VII - Avaliação no Aikidô
A avaliação é baseada na análise de três factores não lineares: Shin, Ghi e Tai. Este três elementos estão numa proporção diferente consoante a idade, os gostos, o sexo, as dificuldades à partida e a concentração. Ghi e Tai são geralmente os elementos mais adaptados aos principiantes. No Aikidô, a avaliação é feita duma maneira não linear, justa em relação a cada um, intelectualmente válida e geralmente compreensível.
Shin: É traduzido por espírito, sopro. Não devemos confundir o espírito com o mental. O espírito é uma inteligência intuitiva directa.
Ghi: A técnica resume um procedimento situado no tempo e no espaço e que deve evitar o efeito de mera “leitura” por ter um objectivo para além de ela própria. É um movimento que deve interpretar duma maneira singular (nunca se repete) e harmónica, os aspectos aleatórios da realidade, e em particular, as alterações provocadas por um ataque, respeitando os constrangimentos externos e internos. A técnica não deve ser abordada como um movimento obrigatório, devendo antes obedecer em primeiro lugar à ligação que temos com o parceiro. Quando encaramos um projecto técnico “em modo bloqueado” ficamos atrapalhados com uma maneira de ser pouco flexível. Terá que ser encontrado um ajustamento natural entre aquilo que se pretende e as condições dum ataque em situação. A ligação com o parceiro é também respeitar os alinhamentos, a centragem, e a intenção. Numa técnica, a tomada de consciência e a espontaneidade são os factores principais a respeitar para agir sem interferir inapropriadamente.
Tai: Significa o corpo orientado conjugado com os três vectores que definem o espaço. O espaço no Aikidô não é encarado unicamente como uma coisa externa que se mede, mas reconhecido com continuidade, na consciência, no corpo e nas emoções. A orientação do corpo é plenamente vivenciada quando o corpo vive o momento presente. A agitação mental que alimenta ideias voluntaristas, ou pensamentos diversos deve ser evitada em favor duma consciência clara e serena.
No Aikidô, não devemos estar com projectos, ou de outra forma, o único projecto é viver o momento presente. Sem agitação podemos ter mais facilmente uma percepção mais homogénea e articulada do corpo.

Jean-Marc Duclos
Setembro de 2006

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

21/05/06

Uma perspectiva da aprendizagem do Aikido
Introdução
O Aikidô abraça princípios universais, que não são particulares ao Aikidô, podendo levar um praticante (munido de bases sólidas), à escuta desta característica fundamental, a progredir com inspiração. Defendemos um ensino tradicional, aberto ao mundo e à nossa época, que tenta preservar aquilo que deve ser preservado, sem dogmas religiosos, científicos ou outros, incluindo atitudes artificialmente rígidas, mas antes movido por um conhecimento que se quer tendencialmente desinteressado.
Fundamentalmente, o Aikidô funciona como a arte, partindo do menos manifesto para o mais manifesto. Na aprendizagem, em vez de se limitar a acumular muita informação, é útil favorecer o estabelecimento da noção de percepção, de abertura, de disponibilidade, isto é, um saber com tendência a regenerar-se e a abrir horizontes. O corpo deve ser conjugado e integrado com a noção de conhecimento (um corpo que liberta – no imediato é difícil dar conta plenamente deste facto), e com movimentos que deverão ser naturalmente relacionais e interiorizados. Devemos evitar um corpo refém do efeito de "leitura", mas dar hipóteses a uma compreensão, a uma assimilação, interiorizando aquilo que está a ser transmitido, para tentar devolver a vida a um escrito, ou a um gesto no nosso caso.
A harmonia que os praticantes procuram no Aikidô é experimentada por actos sentidos do interior e expressados eficazmente e naturalmente por fora. Não podemos construir a harmonia do exterior (um exterior indefinidamente absoluto), mas é a própria harmonia que edifica gestos e que a revela como tal. A execução da técnica em forma de astúcia (truque) expedita (na maior parte das vezes, com uma redução repetitiva a uma estrutura binária: acção - reacção), que adopta uma determinada estratégia para "resolver", faz lembrar que a hipótese da falta de plena integração connosco mesmo, pode limitar a inteligência duma constante e saudável adaptação, tal como é sugerido nalguns aspectos aleatórios da realidade. Em tom de brincadeira: não amamos a omoplata da nossa apaixonada, mas conhecemos a nossa companheira como "um ser vertical" onde as partes, mental, física e espiritual adquirem todo o seu sentido quando não estão artificialmente separadas por uma visão imediatista e empobrecida, e onde a singularidade das nossas preferências só vem confirmar (mas não explicar) a nossa relação. No corpo (em repouso ou em movimento) a noção de linguagem é no mínimo potencialmente subjacente. Podemos no entanto, com determinados objectivos, "congelar" artificialmente, compartimentar, separar algo do seu meio natural para estudar alguns aspectos da realidade. No entanto, mesmo com precauções e respeitando uma metodologia adequada, não conseguimos impedir a fuga de factores fundamentais (que nem sempre são evidentes à primeira vista), importantes para este "ecossistema à escala humana", e que parecem tomar conta duma certa poesia de vida, participando indirectamente na acção de se conhecer (e se reconhecer) com uma certa profundidade. Esta maneira integrada de aprender/conhecer e de fazer progressos "em espiral" implica, a prazo, tomadas de consciência regularmente actualizadas que podem ajudar no futuro, sem criar obstáculos fictícios ligados a "patamares de aprendizagem" mal concebidos.
Na aprendizagem do Aikidô o problema não é tanto saber o que se deve fazer, mas com estudo, interiorização, desempenho e alguma sabedoria, saber o que se deve evitar fazer, para não destruir a sensibilidade e capacidades latentes (às vezes demonstradas) dos nossos alunos. Às vezes, aquilo que chamamos pomposamente cultura (ou a constatação da sua ausência total) cria mais seres esquizofrénicos e violentos, que indivíduos autónomos, conscientes, capazes de agir naturalmente com o sentido da harmonia, da proporcionalidade e da oportunidade (não confundir com o defeito que representa a forma de ser oportunista). É quase escusado dizer que as qualidades encaradas pressupõem não estar sob o constrangimento dum discurso duma pseudo moral, duma filosofia barata, ou da obsessão do politicamente correcto. Relativamente à abordagem do corpo, o Aikidô e o seu ensino devem criar uma prática com um clima que desperte indirectamente a implicação dos indivíduos. A exigência que esta decisão comporta deve ser aclarada com a preocupação de conduzir este processo duma maneira cuidada, de acordo com o nível de cada um. "Esticar a corda", pode ser convertido numa intensidade justa que funciona em variadíssimas áreas: esforço em vários domínios, concentração, percepção do espaço / tempo. A concordância do conjunto "alinhamentos, ligações, centragem e intenção", permite um contacto mais íntimo consigo próprio e aquilo que nos rodeia, e favorece o despoletar progressivo da interiorização. A capacidade de automatizar gestos ou estruturas gestuais com características plásticas deverá prioritariamente passar pelo seu sentido ou seu significado, respeitando naturalmente os constrangimentos estruturais postos em jogo. É por isso que no início, o trabalho da intenção ligado a técnicas e ataques é tão importante e representa um efeito diferido que inicia e mostra toda a sua utilidade a partir do momento que a técnica começa a ser substituída por ter cumprido o seu papel, em proveito da consciência ou das decisões que libertam uma resposta motora ou outra. Por exemplo, quando a sede se impõe na nossa consciência, interiorizamos "tenho sede", e esta constatação desencadeia, dirigir-se à cozinha, abrir o armário, e talvez ainda, evitar o pacote de cereais posto inadvertidamente à frente dos copos, pegar o copo sem o derrubar, deslocar-se perto da torneira, deixar o copo encher-se na quantidade certa, trazer o copo à boca, tudo isso, feito a pensar no problema que temos de resolver com o filho. O "movimento natural" é de facto um verdadeiro milagre de engenho e de talento… A um nível mais somático (ou "visto do exterior"), a tomada de consciência dos alinhamentos vai permitir limpar tensões desnecessárias, ajudando o indivíduo a colocar-se na acção com firmeza e com maior conforto. Em várias circunstâncias (e com significados diversos) há músculos que se contraem como "por simpatia", por mimetismo, em relação a um músculo vizinho. Até pode parecer que uma zona do corpo é dotada de um só músculo! Na maior parte dos casos, porém, mesmo que os próprios tomem consciência do sucedido, não podem corrigir no imediato estas reacções nefastas, elas não desaparecem tão facilmente, sendo necessárias intervenções apropriadas por parte dum professor competente e da colaboração estreita e permanente do aluno.
O reconhecimento da noção de verticalidade acordado com a relaxação do corpo vai permitir sentir o peso (o seu ajustamento) sobre os apoios, e assim poder, numa sensação de sentido inverso, encarregar-se, entre outras coisas, de ajustar subtilmente essa verticalidade. Este exercício é utilizado para respeitar uma certa naturalidade gestual, e numa escala de realização mais avançada, criar "movimentos mais densos". Alguns agentes de ensino têm por hábito apresentar as técnicas colocando em evidência aquilo que elas partilham. Os apoios e a chegada duma técnica ou dum ataque, passando pela "origem" são indicadores que permitem aos praticantes evidenciar a importância do trajecto, da localização do todo e das partes articuladas, dos apoios e da conjugação que fazemos com a sensação devolvida pelos eixos: céu/terra, direito/esquerdo, frente/trás. Ao abordarmos procedimentos, as técnicas apresentam qualquer coisa de "memória estática". Por exemplo, beber um copo de água, respeita factores quase permanentes, como o facto de trazer sempre o copo à boca (e não ao olho [para falar de "conteúdo" ou sentido da acção e não se limitar ao descritivo duma simples trajectória], controlando o movimento do líquido). À volta de alguns factos que fazem sentido, o movimento adapta-se e regula-se. Quando o corpo parece tornar-se aparentemente um impeditivo, o agente de ensino deve evitar, quando for possível, o corrigir de fora. Uma correcção deve colocar o movimento numa relação estrutural, na tentativa de suscitar uma resposta que produza efeitos perceptíveis cujo sentido seja compreendido. Se fosse possível encontrar alguém que nunca tivesse cumprimentado outra pessoa, o interessado deveria ser iniciado com alguma delicadeza, por forma a afastar uma concretização gestual ponto por ponto (como um robot) que não deixa espaço à individualidade ou à personalidade. Os procedimentos ou técnica podem ser o "resultado" aparente do que uma conduta revela. O importante é preservar a chama que faz mover o gesto. Não é através de encadeamentos de técnicas coladas ponta a ponta que podemos construir artificialmente uma vida.
Simplificando, podemos dizer que a nossa vida é um encadeamento natural. Até à nossa morte, as nossas acções são encandeadas (em sucessão) duma forma significativa, seguindo a personalidade de cada um, vulgarmente atenta às circunstâncias exteriores e interiores. Por outro lado, quando o passado deixou marcas, o comportamento encontra-se às vezes incomodado ou inibido. O medo é igualmente um outro travão. A ignorância duma saudável reacção ou dum procedimento pode também ser fatal. As técnicas de Aikidô devem ser aprendidas e apreendidas como um tema, e não como uma "técnica obrigatória". Cada técnica tem o seu leque de alinhamentos que a diferencia das outras. É procurando realizar aquilo que é dado como modelo, que um aluno desenvolverá mais facilmente a sensação concreta daquilo que ainda lhe escapa, e enfim, um dia, realizar aquilo que lhe foi pedido. Para um agente de ensino experimentado, é bastante fácil ver o aluno tentar libertar-se da situação onde ele se encontra, e seguir os seus progressos. Na execução duma técnica ou dum ataque, existem algumas maneiras, consciente ou não, de a tornar instável, irregular. Para permitir a aprendizagem, temos que tomar consciência destas formas irregulares. Para os alunos mais graduados, a prática orienta-se mais no seu sentido (intenção limpa, sem interferências) do que na sua manifestação mecânica. Se estas formas irregulares são o resultado duma anomalia qualquer, ela deverá ser abordada e corrigida ao seu nível. Ao tentar resolver um problema de matemática, se alguém altera o seu enunciado antes de ser finalizado, nunca será possível resolver ou ressentir aquilo que não funciona. Para os principiantes é preciso estabelecer uma ligação entre aquilo que é pedido e aquilo que se faz. Quando os princípios estão suficientemente assimilados (ligação), pode-se então alterar alguns elementos do enunciado, desde que no mesmo instante, ele consiga tomar conta do que foi modificado, rectificando, no mesmo instante, o que não está ajustado, sem perder a marcha do trabalho (na realidade, no tempo, não há regresso possível). Recordamos que este tipo de aprendizagem é realizado para se conhecer a si mesmo e não para alimentar o ego de qualquer um dos protagonistas. Abordar a relaxação e a respiração é também muito importante para acalmar a agitação mental. Para aqueles que procuram praticar um Aikidô duma maneira integrada e tradicional, esta abordagem é indispensável.
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Algumas notas

Este artigo, não tem a pretensão de dar uma explicação do Aikidô. Da mesma maneira, a palavra kimusubi não foi utilizada por duas razões: a primeira liga-se ao facto de ter a percepção de que não tenho o nível para o fazer, e a segunda, dado que nenhum programa poderá algum dia ensinar ou explicar este fenómeno. O Aikidô ou kimusubi passam pela exigência dum ensino tradicional ou da transmissão viva de "professor a aluno". Por isso a relevância deste artigo é limitada, ficando, em sentido figurativo, no limiar da porta que dá acesso ao Aikidô.
Qual o porquê deste artigo? Na Europa, os governos obrigam os agentes de ensino a seguir uma formação organizada pela Secretaria de Estado do Desporto. Para além disso, alguns grandes clubes multi-desportivos, exigem igualmente a apresentação dum programa de ensino trimestral ou anual, segundo uma grelha de critérios estabelecidos pelo modelo desportivo. Neste contexto, e simplificando, o resultado previsível é o de um programa de graduação associativo ser "cortado em bocados", fazendo corresponder um certo número de técnicas com datas estabelecidas, e tudo isso servido numa bandeja e salpicado da teoria da fisiologia do esforço. Por outro lado, nos cursos de formação organizados pelo estado português, é muitas vezes afirmado com razão, a necessidade de prever as nossas acções para atingir os objectivos que sustentamos, caso contrário podemos obter resultados não desejados e por vezes não desejáveis.
A abordagem do Aikidô é como a de um céu estrelado. Vê-lo, parece fácil, mas dizer algo que seja parecido a um céu estrelado, é já um problema verdadeiramente delicado. Procurando conhecer algo, o modo de proceder utilizado, participa de uma certa maneira no acto de conhecer. O importante é compreender a relatividade das abordagens e de as utilizar no seu domínio próprio de uma maneira adequada, sem rejeitar nenhuma à partida.
É necessário também questionar se a concepção dos programas não é às vezes um pouco contraditória com o essencial que o Aikidô pretende veicular, principalmente em algumas das suas aplicações programáticas (ligadas quase exclusivamente à biologia, que é casada envergonhadamente neste caso, com duas primas de terceiro grau, a psicologia e a filosofia). A incorporação de elementos que não são originalmente pertença do Aikidô é às vezes necessária, mas quais são os critérios que intervieram nesta decisão? Será que este tipo de enxerto toma verdadeiramente conta da sobrevivência da planta? Ou será que inconscientemente brincamos aos aprendizes de feiticeiros, transformando completamente o Aikidô que tínhamos à partida em "outra coisa", garantindo aparentemente o seu aspecto e o facto de se "vender correctamente", mas de qualidade duvidosa em relação a uma herança que provavelmente não compreendemos em toda a sua extensão?
É preciso acompanhar os tempos, mas mudar por mudar não está de acordo com um estudo que se respeita, sobretudo se for realizado sob a pressão de cumprir cegamente regulamentos ou normas legislativas (para estar naturalmente na legalidade) geralmente bastante generalistas, e em alguns casos, com um efeito nivelador que se pode revelar discutível.
Foi neste contexto, que produzi indirectamente um esboço dum programa de aprendizagem de alcance médio, partindo do geral até alguns detalhes e que corresponde ao acto de ensinar aos menos graduados, acautelando à partida não excluir (in loco) os princípios que me foram ensinados.
Tomando em conta os objectivos de cada um (ou da representação que temos do Aikidô), seria interessante começar a conceber um quadro que pretendesse desenvolver uma lógica destinada a negociar a intervenção do desporto na formação dos agentes de ensino do Aikidô.
Jean-Marc Duclos 16/10/2005

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